O número de empreendedoras cresce no Brasil. Seja por oportunidade ou por necessidade, cada vez mais mulheres lideram seus próprios negócios e, na maioria das vezes, acumulam múltiplos papéis: gestora, mãe e responsável pelas tarefas domésticas. Mas de que forma essa sobrecarga afeta a saúde mental dessas mulheres?
Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2022, a taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho foi de 53,3%, enquanto a dos homens alcançou 73,2%, uma diferença de quase 20 pontos percentuais. Além disso, as mulheres dedicaram, em média, 21,3 horas semanais às tarefas domésticas, enquanto os homens dedicaram 11,7 horas — praticamente a metade.
O que é carga mental?
A carga mental é o esforço invisível de planejar, organizar e antecipar responsabilidades diárias. Ela vai além do esforço físico, envolvendo um trabalho cognitivo e emocional contínuo, que parece não ter fim. É o cuidado constante com o lar, o negócio e os filhos. A sensação de que tudo depende de você pode ser extremamente exaustiva.
Imagine uma empreendedora que precisa acompanhar pagamentos, comprar insumos, gerenciar o estoque e analisar as vendas. Ao mesmo tempo, ela deve se lembrar de lavar a roupa, tirar o lixo, fazer a lista de compras do supermercado e comparecer à reunião escolar dos filhos. Essa sobrecarga mental contribui para o aumento do estresse, da ansiedade e da privação de sono, fatores que podem favorecer o desenvolvimento de doenças crônicas.
Uma pesquisa realizada pela ONG Think Olga, em 2023, apontou que 45% das entrevistadas possuem diagnóstico de ansiedade, depressão ou outro transtorno mental. Além disso, a situação financeira e a dificuldade de conciliar as diferentes áreas da vida foram os aspectos que apresentaram os maiores índices de insatisfação. Afinal, uma boa educação financeira ajuda a reduzir a insegurança na tomada de decisões e contribui para uma gestão mais sustentável do negócio.
Como isso afeta na gestão do negócio?
Uma mulher cansada e sobrecarregada tende a apresentar redução na produtividade e na criatividade. Além disso, sua capacidade de tomar decisões importantes pode ser comprometida, assim como a forma de lidar com desafios e construir relações profissionais.
Da mesma forma, a desmotivação e a falta de apoio contribuem para aumentar a carga mental, podendo levar à desistência do empreendimento ou até mesmo ao encerramento do negócio.
Práticas de autocuidado

Algumas práticas podem ajudar a aliviar o estresse diário, reduzir a ansiedade e diminuir a sensação constante de urgência. Reservar um momento para si permite focar mais no presente, em vez de se preocupar com situações que ainda nem aconteceram.
- Pequenas pausas: parar por cerca de 10 minutos, beber água, fechar os olhos e respirar profundamente ajudam a reduzir a fadiga mental.
- Respiração consciente: essa prática auxilia na regulação das emoções, reduz a ansiedade e melhora a concentração. Inspirar lentamente, segurar o ar por alguns segundos, expirar e imaginar um lugar calmo e confortável pode ajudar a enfrentar momentos de pressão.
- Impor limites saudáveis: estabelecer horários de trabalho, definir prioridades e evitar responder mensagens profissionais fora do expediente são atitudes importantes para preservar o equilíbrio.
- Buscar ajuda psicológica: quando a ansiedade passa a interferir na rotina, procurar um psicólogo é fundamental. A terapia oferece um ambiente seguro para falar sem julgamentos, compreender sentimentos e crenças, reduzir o sofrimento emocional, fortalecer a autoestima e desenvolver estratégias para enfrentar as dificuldades.
- Organizar uma lista de tarefas: elaborar uma lista semanal ou diária com prioridades ajuda a reduzir a sensação de sobrecarga. Além disso, dividir atividades maiores em pequenas etapas torna sua execução mais simples e menos desgastante.
- Dividir responsabilidades: compartilhar tarefas significa dividir a carga mental. Isso pode ocorrer tanto no ambiente de trabalho, com gestores ou sócios, quanto em casa, com o parceiro, familiares ou a rede de apoio. Além disso, estruturar processos e definir responsabilidades desde o início do empreendimento também contribui para uma rotina mais organizada. Saiba mais em nosso artigo sobre “Como estruturar um negócio feminino”.
- Fazer algo que proporcione prazer: praticar atividades físicas, como ioga, meditação ou caminhadas, além de dedicar tempo a hobbies como pintura ou leitura, contribui para o relaxamento, melhora o bem-estar emocional e favorece a saúde física e mental.
Conclusão
Empreendedora saudável, negócio saudável.
As mulheres que empreendem transformam o Brasil. No entanto, muitas enfrentam uma rotina marcada pela sobrecarga mental. Entre os principais fatores de insatisfação estão as dificuldades financeiras e a necessidade de conciliar as responsabilidades profissionais e pessoais. Uma gestora sobrecarregada encontra mais dificuldades para tomar decisões estratégicas e lidar com os desafios do dia a dia. Por isso, contar com um planejamento estratégico bem estruturado ajuda a reduzir a sensação de urgência e permite que as decisões sejam tomadas com mais clareza.
As práticas de autocuidado são importantes para reduzir o estresse, fortalecer a autoestima e promover maior equilíbrio emocional. Entretanto, quando há ansiedade ou outro transtorno mental, o acompanhamento de um profissional qualificado é indispensável. Da mesma forma, o apoio das pessoas próximas e a divisão das responsabilidades são fundamentais para diminuir a carga de quem, muitas vezes, tenta dar conta de tudo sozinha.
Uma mulher saudável toma decisões mais conscientes, enfrenta os desafios com maior equilíbrio e reúne melhores condições para conduzir um negócio de forma sustentável e próspera.